Psicólogo, psicanalista ou psiquiatra? Conheça as diferenças

Uma dúvida paira sobre a cabeça de muita gente quando o assunto é o estudo da psique humana: o que diferencia psicólogos, psiquiatras e psicanalistas? Apesar de todas buscarem a cura para transtornos mentais, cada uma das três áreas têm suas peculiaridades e métodos de atuação diferentes, além de formações distintas. Quer saber mais? veja a seguir:

Psicologia

Para se tornar psicólogo, é preciso concluir a graduação. A Psicologia é a área que se ocupa de psicoterapias e psicodiagnósticos. O psicodiagnóstico é elaborado a partir de entrevistas e realização de testes com o paciente e se diferencia do diagnóstico médico, por ser uma técnica exclusiva do psicólogo (psiquiatras não podem aplicá-los).

“Onde houver seres humanos, haverá relações e, consequentemente, haverá comportamento. Em qualquer um desses espaços o psicólogo pode atuar”, comenta o psicólogo e ex-presidente do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Dionísio Panaszewski.

Se antigamente a Psicologia tinha o foco em áreas como clínica, escolar e industrial, hoje essa ciência é demandada por outros campos também, como jurídico, esportivo e social. “Na psicologia jurídica, por exemplo, o profissional pode atuar na recuperação e inserção social da população carcerária”, completa Panaszewski.

Psiquiatria

O psiquiatra é um profissional licenciado em Medicina, com especialização em transtornos mentais. Diferentemente da Psicologia e da Psicanálise, um tratamento psiquiátrico pode fazer uso de remédios.

“O psiquiatra pode, além da utilização das psicoterapias, prescrever medicamentos que auxiliem no tratamento. Com o avanço dos remédios que dispomos hoje em dia é possível tirar pacientes da crise mental em até dois meses, o que antigamnte podia durar anos”, detalha Luiz Carlos Villafont, primeiro-secretário da Associação Brasileira de Psiquiatria. O médico, além do atendimento hospitalar-institucional, também pode atender em consultórios, ambulatórios e centros de atenção psico-social. Tanto na rede pública ou de modo privado.

Psicanálise

A Psicanálise surgiu dos estudos e investigações de Sigmund Freud, médico neurologista vienense do século XIX, e se ocupa da compreensão e análise do homem. Exclusivamente por meio de diálogos, o psicanalista procura a cura para as enfermidades físicas e mentais do paciente.

“A psicanálise é a cura através da fala. Conversando com o psicanalista, o paciente apresenta seus sintomas e revela informações que podem ser utilizadas na própria solução do caso dele”, diz o psicanalista e vice-presidente da Associação de Psicanálise da Bahia, Cláudio Carvalho, a respeito do método de tratamento baseado na narrativa do paciente, presente também em outras psicoterapias.

Apesar de estar inserida na Psicologia, pois é uma forma de psicoterapia, a psicanálise pode ser entendida como um campo à parte. Contudo, não existe uma faculdade específica, a formação se dá por meio de instituições de Psicanálise. Ou seja, não é necessário ser psicólogo ou psiquiatra para se tornar um psicanalista.

“A pessoa que tiver interesse em se formar psicanalista deve procurar uma instituição especializada. Seminários, leituras e análise pessoal fazem parte da formação, que também inclui a supervisão clínica de um caso, acompanhado de um psicanalista já formado”, completa Carvalho.

Fonte
Portal Terra

Depressão

Para a Psiquiatria, a depressão é uma alteração do humor caracterizada por tristeza profunda, acompanhada de apatia, desânimo, inapetência, desinteresse sexual e pela higiene, insônia e um sentimento de falta de sentido na vida. Esses sintomas podem ou não se alternar com seus contrários: humor exaltado, denominado “mania”, ou em grau mais leve,hipomania. Se por um lado os sintomas depressivos nos fazem sentir pesados e pesando aos que convivem conosco, os de mania nos fazem sentir ótimos, não necessitando de nenhum tipo de ajuda, o que, entretanto já não se dá com os familiares, que podem perceber certas inadequações, falta de limites, gastos exagerados e assim por diante.

Esses quadros nos levam a perguntar: se eu tenho esses sintomas, sou doente? Estou doente? O que se passa comigo?

A Psicanálise traz sua contribuição no sentido de pensar estas questões.

Embora não seja claramente detectável, há sempre um evento desencadeador dos sintomas, que pode ser um sentimento de perda, de luto. Às vezes ele pode passar despercebido, mas está lá.

O que acontece é que cada vivência desse tipo em nossas vidas “engancha” em outras anteriores, ainda que possamos não nos dar conta disso, potencializando cada uma delas.

É importante distinguir quando se trata de tristeza como resposta ajustada a situações normais de vida, mas que cada vez mais temos dificuldade de conviver. Infelizmente, estamos cada vez menos “preparados” para suportar os sentimentos de tristeza pois além de os evitarmos, estamos muito frequentemente em busca do prazer, da satisfação e da preferência imediata.

Pode parecer estranho, mas é muito comum em adolescentes sentimentos depressivos, pelo luto, um luto difícil de fazer diante da perda do corpo infantil, das vivências e expectativas da vida de criança que, comparadas às novas e complexas expectativas do mundo adolescente, eram familiares e administráveis pelo jovem.

Também parece estranho falar que mães que recentemente tiveram seus bebês, acolhidos com muito amor, também vivam sentimentos de luto – e elas vivem! Isto porque, além de muitas mudanças hormonais, o estado de humor da gestante vai sofrendo modificações: parece que toda sua vida se lentifica, seu foco de atenção vai se estreitando em torno de tudo o que diz respeito ao seu bebê, o que é muito interessante no sentido de colocar a mãe em sintonia com ele, favorecendo que lhe ofereça os cuidados que necessita.

Após o nascimento, a mãe se depara com o vazio no seu corpo, com as demandas do bebê, com os confrontos entre o bebê que havia imaginado e com o bebê real, que agora ocupa tanto espaço na sua mente e na sua vida.

Consideramos tanto essa ‘depressão’ pós-parto como a ‘depressão’ adolescente uma depressão normal. Isso não quer dizer que desconsideremos a ocorrência de quadros com características muito intensas, com enorme prejuízo para a vida da mãe ou do adolescente, ou de qualquer pessoa, e que demandam então uma atenção especial.

Nos casos de depressão em adolescentes, deve-se prestar muita atenção aos sinais que possam indicar algum risco de suicídio, especialmente se além do isolamento e dos sintomas já mencionados, surgirem também outros sintomas, tais como ideias estranhas, ou mesmo delirantes, acompanhadas ou não de alucinações.

No caso de crianças, para as quais costumamos ter a visão idealizada da “infância feliz”, muitas vezes fica difícil detectar sintomas depressivos. Crianças deprimidas podem ser vistas como crianças boazinhas e quietinhas, obedientes e tímidas. Por outro lado, as crianças com manifestações hipomaníacas podem ser confundidas com crianças decididas, ativas, bem resolvidas.

O que se passa é que vivências de perda provocam a necessidade de elaboração do luto, processo no mais das vezes difícil de conviver, muito sofrido para quem o vive e também difícil para as pessoas próximas suportarem. Desse modo, lançamos mão de mecanismos de defesa contra o sofrimento, sendo que a exaltação de humor, a já mencionada “mania” ou hipomania, é uma das formas de nos defendermos, de tentarmos não entrar em contato com nossas dores.

O problema é que tais defesas prejudicam o trabalho de luto, prolongando e até cronificando os sentimentos de perda, podendo acarretar em prejuízos para o desenvolvimento da criança e mesmo para o adulto conseguir encaminhar sua vida com maturidade.

Assim sendo, é muito importante que estejamos atentos aos sinais que possam indicar que uma tristeza deixou de ser algo “simples” e passou a se intensificar, afetando nossas vidas ou de alguém de nosso convívio.

Pode-se buscar tratamento psicoterápico, psicanalítico e mesmo em alguns casos pode haver a necessidade de administração de medicamentos como recurso auxiliar.

As famílias que ajudam seus membros a enfrentar, conviver e a superar perdas podem muitas vezes se ver diante de limites. Daí a necessidade de ajuda especializada, o que não deixa de ser também uma forma de demonstrar amor.

Fonte
Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo
Blog da Psicanálise

Psicoterapia infantil

Durante a infância, as crianças deparam-se com um universo novo, que deve ser explorado e descoberto. Neste período da vida, elas vivenciam transformações e experiências até então desconhecidas. Alterações hormonais, mentais e corporais apresentam-se como uma novidade, além das situações externas, que exigem cada vez mais dos pequenos e também dos adolescentes.

Tirar notas boas na escola, praticar esportes, falar um segundo idioma e dominar a informática. A lista de afazeres e obrigações é grande, resultando em uma pressão desmedida e, às vezes, insuportável para as crianças.

Conseguir corresponder às expectativas dos pais, professores, colegas e familiares torna-se então um pesadelo para a garotada, que não consegue expressar os sentimentos e frustrações por palavras. É neste contexto que entra a psicoterapia infantil, que será detalhada no post de hoje. Confira!

O que é a psicoterapia infantil?

Vertente da psicologia, a psicoterapia infantil tem a finalidade de melhorar a qualidade de vida da criança, proporcionando uma infância feliz e saudável. A psicoterapia ajuda a identificar os seus medos, receios e insatisfações, através de um trabalho com as dificuldades pessoais dos pequenos.

A psicoterapia infantil também pode ser destinada aos pais ou responsáveis, que precisam de uma orientação de como agir e lidar com acontecimentos que envolvem as crianças. O intuito permanece sendo o bem-estar familiar, a prevenção e solução de problemas.

Como é possível descobrir que a criança precisa de tratamento?

Diferentemente do adulto, que consegue compreender o que está acontecendo e o motivo de determinadas ações, as crianças utilizam outros métodos de comunicação para demonstrar sua angústia. Ter um comportamento totalmente agressivo ou criar hábitos estranhos como dormir de luz acesa ou fazer xixi na cama com frequência, por exemplo, são demonstrativos de que algo está errado.

Falta de concentração, problemas de aprendizado e de interação social, distúrbios físicos, adoecer com frequência e compulsão por comida também são sinais de que a criança precisa de ajuda especializada.

Como funciona a psicoterapia infantil?

Para entender e identificar os problemas das crianças, os psicoterapeutas adotam alternativas lúdicas, como brincadeiras, desenhos e jogos. As atividades desenvolvidas são baseadas na idade. Esta metodologia possibilita conhecer mais profundamente a criança, incluindo suas aflições, comportamentos e sentimentos. Como já dito, a participação dos pais neste processo é essencial, pois somente assim eles terão conhecimento sobre as adversidades do filho.

Quais os benefícios?

São vários os aspectos positivos, sobretudo, a superação dos sentimentos e sensações que incomodam a criança. O tratamento resolve os conflitos internos e externos que provocavam uma perturbação emocional ou física, promovendo assim o alívio dos sintomas, além de ajudar no desenvolvimento dos pequenos e também dos jovens. A psicoterapia infantil ajuda a criança a se redescobrir, orientando-a trilhar um caminho próprio e independente, sem importar com julgamentos ou rótulos.

A psicoterapia infantil, que é recomendada durante a infância ou adolescência, é a alternativa ideal para garantir uma vida equilibrada, eliminando ou, pelo menos, amenizando as pressões do cotidiano, o que resulta em adultos mais seguros e satisfeitos. Com o tratamento, a criança ainda percebe a importância de viver o momento presente.

Fonte:
Psicologia viva